Tenho 4 irmãos e não quero  classificá-los em adotivos ou biológicos, mas preciso contar como foi minha experiência como irmã por adoção.

Tinha por volta de 11 anos quando minha irmã chegou com 3 dias de idade. Impossível não se apaixonar por aquele ser humano indefeso e pequeno.

Logo me prontifiquei a cuidar e ser a “mãe” dela. O berço ficou no meu quarto e logo estava colado na minha cama. Aprendi a dar mamadeira, trocar fraldas  e até dar banho. Tomei para mim a missão de dar um jeito em uma hérnia,  no umbigo,  que minha irmã tinha. Sim, a trinta anos, numa  hérnia de umbigo,  a gente colocava  uma moeda envolta em gaze e passava a faixa  em torno da barriguinha do bebê. . Por  horas, eu  ficava vendo minha irmã se mexer,  me certificando que aquela moeda não saísse do lugar.

Não sei se pela moeda ou se pelo desenvolvimento dela, só sei que o umbigo ficou tão bom e para mim, naquela época,  foi uma missão cumprida com louvor!

O tempo passou e apesar da diferença de idade, fomos parceiras por um bom tempo. Mas dai,  ela começou a mexer na minha maquiagem e ameaçar contar para minha mãe  minhas pisadas fora da faixa. Não  tinha nada a ver  com a forma de concepção. A “mocinha” era mesmo um dedo duro!

Mesmo com um quarto para cada um dos filhos,  parecia que meu quarto era um lugar mágico para essa garota que começava a descobrir o mundo.  Mas apesar da diferença de idade, acompanhei a trajetória de minha irmã, quando fez  suas amizades e suas escolhas.

 Na adolescência nos afastamos um pouco e na maioridade  tivemos nossos desencontros. Mas logo depois nos “ reencontramos” para celebrar uma nova fase na vida dela. No próximo dia 15/07/2017,  ela irá se casar e eu estarei ao lado dela,  para ver uma história de abandono que tinha tudo para dar errado, mas  onde o amor venceu! Obrigada Gabriela Mahalia ( e como ela gosta desse nome!) por fazer parte de nossa vida.  Você é um presente em nossa família.

 

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