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 NOSSOS FILHOS CHEGARAM!

 

A Adoção dos nossos filhos, de 3 e 5 anos de idade, foi um acontecimento muito desejado e vivido. Foi uma gestação literalmente, pois além de ter sido um processo concluído em 9 meses, podemos afirmar que sentimos todas as sensações esperadas numa gestação: desde enjoos até  a expectativa  de saber quem eles seriam.

Chegaram em nossas vidas modificando toda nossa dinâmica, expectativas, planejamento e trazendo consigo um Amor tão grande e incondicional, onde passaram a ser o centro das atenções. Hoje viver sem eles é algo inimaginável. Foram experiências desde o primeiro encontro que foi mágico, emocionante e a certeza de que estávamos diante dos nossos filhos!

Mesmo sendo um casal homoafetivo, não tivemos dificuldades em nenhuma etapa do nosso processo de adoção.  Fomos bem acolhidos desde os cursos obrigatórios, solicitados pelo judiciário, antes de protocolar a documentação. E nem mesmo no Abrigo, onde nossas crianças estiveram acolhidas.

Com esse movimento de emoções, ficar isolado não seria uma ação correta e sensata, pois participar de um Grupo de Apoio à Adoção como o GAARefugio, tornou nossa jornada bem mais compreensível, pois temos recebido todo apoio para lidarmos com as questões, principalmente emocionais.

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Ganhei dois irmãos!

Oi,meu nome é Clara Nogueira sou filha do Marcio e da Ivete e irmã do Pietro e Rodrigo.
Bom estamos com eles só cinco meses mas parece que estamos a vida toda. Eu sinceramente estou amando essa nova jornada,eles estão sendo maravilhosos ,compreensivos e divertidos pra mim! Não só estão me fazendo feliz, como estão fazendo meus pais. Eles estão maravilhados com eles e eu também . Como eu ja disse eu ja pensava em ter um irmão desde pequena , e hoje esse sonho está se realizando! Eu pensava em ter um irmão agora eu tenho dois. Agora eu estou dividindo tudo com eles e estou adorando... A gente divide o quarto, a escola , e os pais né, rs. Enfim eu estou amando eles comigo.

 

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NOSSA FILHA GANHOU DOIS IRMÃOS

 

Meu nome é Marcio Nogueira e moro na cidade de Poá. Minha esposa e eu já tínhamos a vontade de adotar antes mesmo de nos casarmos. O plano era: um filho biológico e outro do coração. O planejamento surgiu durante o namoro ainda na adolescência e falávamos sobre ele na vida adulta. Mas, como acontece com alguns planos que temos na vida, a ideia da adoção foi sendo adiada.

 

Em 2005, tivemos uma filha, Clara (hoje com 12 anos). Ela foi se tornando uma criança saudável e feliz à medida que crescia. Nunca falou sobre a vontade de ter irmão (ou irmãos). Se teve essa vontade, nunca falou. O fato é que ela nunca reivindicou a presença de um ou mais irmãos, mesmo tomando conhecimento da vontade que tínhamos em adotar.

 

Minha esposa, Ivete, decidiu que não queria mais engravidar – depois do nascimento de Clara ela me confidenciou que já tinha passado pela experiência da gravidez e do parto e por isso não gostaria mais de ter filhos biológicos. Eu apoiei a decisão. Ela passou pelo processo de laqueadura em 2012.

 

Em maio de 2015, assisti a um filme que me deixou paralisado. O filme canadense “Os meninos de São Vicente” trata do fato real de um orfanato que funcionava em St. John’s, no Canadá onde os meninos eram abusados sexualmente e fisicamente pelos seus tutores. O caso virou um escândalo nos anos 90. O que me chamou a atenção neste filme (claro, além do crime cometido contra os meninos) foi a situação das crianças mais velhas que vivem em abrigos e que têm uma possibilidade muito remota de adoção.

 

Depois de cinco semanas de muita reflexão, conversei com minha esposa sobre a possibilidade. Por que não? Ela assistiu ao filme (que tem duas partes) e também ficou pensando no assunto. Tomada a decisão, começamos um período de intensas pesquisas sobre o tema adoção. Descobrimos, por exemplo, que os meninos são menos adotados que as meninas. Eles são a maioria na fila de adoção. Pesquisamos sobre adoção tardia e tomamos a decisão: daríamos um irmão à Clara. Conversamos com ela também. Em princípio, ela teve dúvidas sobre a permanência de outra criança em nossa casa. Mas, depois abraçou a causa, afinal essa outra criança seria seu irmão.

 

Depois que entramos na fila de adoção, começamos a pensar na situação dos grupos de irmãos. Eles são a maioria nas casas de acolhimento. Um menino no perfil que queríamos, mesmo sendo mais velho, demoraria a chegar. Mudamos o perfil no Fórum alegando que queríamos não apenas um menino, mas dois. Tivemos de passar por outras entrevistas pelas técnicas do judiciário para concretizar a vontade no processo. O fato é que havia muita mulher no meu pedaço – até que apareceram em nossos caminhos Pietro de 9 anos e Rodrigo de 8 anos.

 

Com a possibilidade mínima de adoção, fomos chamados pelo Fórum e indagados se queríamos adotar os irmãos. Como foi amor à primeira vista não tivemos dúvida. Sim, claro! Começamos o período de convivência e desde novembro de 2017 eles estão conosco.

 

Apesar da vida familiar feliz que temos, lidamos também com os desafios de educar duas crianças que praticamente cresceram no abrigo e que têm uma história que deve ser respeitada, de ensinar os valores que acreditamos e de demonstrar carinho e afeto mesmo com alguns traumas ainda não superados por eles.

 

De qualquer forma, Pietro e Rodrigo vieram para ficar. São os nossos filhos e irmãos da Clara. Nem parece que são filhos do coração. Aliás, ninguém em casa se lembra disso. Eles foram acolhidos pela família inteira. E são felizes por agora viverem em família com direito a tudo o que se pode oferecer a uma – ou duas crianças.

 

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FILHO E PAI POR ADOÇÃO


 Não sei o que é mais fácil testemunhar: sobre ser pai adotivo ou ser um filho adotivo. Essas duas experiências são as que vivo atualmente. São experiências recheadas de fatos na história, cheias de emoção, dor e bem-estar, lutas e vitórias, alegrias e tristezas.
 Das duas, tenho uma experiência que supera todas elas: a da perda de 2 filhos, a qual também vivo com os abalos emocionais cotidianos.
 Compartilho minhas experiências enquanto filho que fora recebido por um casal que sonhava o projeto de ser pai e mãe. Foi quando, um dia, Deus promoveu o encontro deles comigo.
Fui acolhido com quatro anos após viver por um ano e meio em um abrigo. Tão logo minha mãe engravidou e o casal fora agraciado com dois filhos no mesmo ano.
 Hoje, ao olhar para trás, digo que tive muitas dificuldades em se ‘encaixar’ nos modos e costumes. A corrida por uma postura dentro e fora de casa, o ensino do manuseio de um simples garfo e outras coisas triviais e complexas consumiram tempo e disposição daqueles que estavam procurando, de alguma forma, me inserir o mais rápido possível num ‘mundo’ melhor.
 As diferenças entre os filhos foram aparecendo. A afinidade dos pais para cada um aflorou. O amor dos pais aos dois continuou o mesmo, ainda que há alguns anos atrás, ainda não tinha esta convicção, pois tinha uma ‘certeza’ que meu irmão era o ‘mais’ querido e preferido, principalmente da minha mãe.
 Falando em mãe, tivemos muitos reveses. A incompatibilidade de gênios, popularmente falando, ajudou a nos distanciarmos cada vez mais, onde foi que eu me aproximei mais do pai e a mãe no filho mais novo.
 Foram conversas e conversas, discussões infindáveis, parentes e amigos que se empenharam nesta construção. O casal era novo e não teve uma assessoria que pudesse orientá-lo neste processo de adoção de uma criança. Aprenderam a me conduzir com força e coragem, confiantes de que tudo que fizessem era para o meu bem querer, sem medir esforços.
 Ser filho adotivo é uma graça divina e uma bênção para ambas as partes, pois: proporcionou alegria à nova família; viabilizou um novo caminho de vida; promoveu o amor, carinho e dedicação; imprimiu em meu coração o desejo de experimentar o outro lado, adotando uma filha linda; e acima de tudo, tanto meus pais quanto eu atribuímos tudo isso a um só Deus, o qual só Ele poderia realizar esse encontro.
 Meu nome é Raniére, 44 anos, pastor presbiteriano, casado com Márcia, pai de Heloise, Pedro e Gabriel. Júlia e Davi também, mas já moram 

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MEU IRMÃO ESPERADO!

 Quando eu tinha uns 6 anos de idade, comecei a pensar como seria bom ter um irmão para poder brincar! Eu tinha uma irmã dois anos mais velha do que eu, mas ela era menina. E brincadeira de menina era muito chata! Dai eu falei para meus pais sobre da minha ideia, mas não sabia que eles já tinham planos de Adoção mesmo antes de se casarem.
Então, incentivado por eles, comecei a orar, pedindo a Deus um irmãozinho. Planejava brincar com ele, dividindo meus brinquedos. Eu tinha muitos brinquedo!. Naquele tempo os da moda eram o Playmobil e eu tinha, praticamente, todas as coleções: bombeiro, policial, carros, enfim, daria muito bem para brincarmos!
Mas a chegada de meu irmão estava demorando muito. Eu me lembro, um dia, disse para meus pais: “ Ah, acho que Deus não está me ouvindo! Meu irmão nunca chega!”
Mas pouco tempo depois, meus pais nos disseram, para mim e minha irmã, que teríamos um irmão. Ele era do Belém do Pará e chegaria de avião. Meus pais mandaram as passagens e nós iriamos busca lo no aeroporto. Fiquei entusiasmado! Fizemos um bonito cartaz com o nome dele, para que o missionário da Jocum, que o estava trazendo, pudesse nos identificar. Eu me lembro que fiz questão de levar um carro de brinquedo para ele. Foi uma festa! Ele era legal! Tinha quase um ano de idade e parecia o Moogli do filme. Um cabelo pretinho, escorrido, como um descendente de índio, que na verdade era! Finalmente meu irmão havia chegado.
Já em casa, ele se acomodou comigo em meu quarto e logo começou a andar. Mas ele tinha muita curiosidade. Ele não brincava com os meus brinquedos, que agora eram nossos! Ele queria saber o que havia dentro dos brinquedos e por isso meu bonecos do Playmobil logo ficaram sem a cabeça, os carros sem as rodas...tudo ele abria para ver o que tinha dentro. Meu irmão havia chegado, mas os brinquedos estavam indo embora.
Logo ele cresceu e era meu parceiro nas brincadeiras e traquinagens. Por um bom tempo moramos num Sítio e pudemos curtir demais a natureza. Mais tarde, já rapaz, eu trabalhei em Paraty , com meu barco e ele estava lá comigo. Curtimos bem a vida juntos. Mas na verdade, a gente viveu tão intensamente, que eu acabei me esquecendo que ele havia sido adotado. Para mim ele é meu irmão desde sempre!

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TENHO IRMÃOS POR ADOÇÃO


Tenho 4 irmãos e não quero  classificá-los em adotivos ou biológicos, mas preciso contar como foi minha experiência como irmã por adoção.
 Tinha por volta de 11 anos quando minha irmã chegou com 3 dias de idade. Impossível não se apaixonar por aquele ser humano indefeso e pequeno.
 Logo me prontifiquei a cuidar e ser a “mãe” dela. O berço ficou no meu quarto e logo estava colado na minha cama. Aprendi a dar mamadeira, trocar fraldas  e até dar banho. Tomei para mim a missão de dar um jeito em uma hérnia,  no umbigo,  que minha irmã tinha. Sim, a trinta anos, numa  hérnia de umbigo,  a gente colocava  uma moeda envolta em gaze e passava a faixa  em torno da barriguinha do bebê. . Por  horas, eu  ficava vendo minha irmã se mexer,  me certificando que aquela moeda não saísse do lugar.
 Não sei se pela moeda ou se pelo desenvolvimento dela, só sei que o umbigo ficou tão bom e para mim, naquela época,  foi uma missão cumprida com louvor!
 O tempo passou e apesar da diferença de idade, fomos parceiras por um bom tempo. Mas dai,  ela começou a mexer na minha maquiagem e ameaçar contar para minha mãe  minhas pisadas fora da faixa. Não  tinha nada a ver  com a forma de concepção. A “mocinha” era mesmo um dedo duro!
Mesmo com um quarto para cada um dos filhos,  parecia que meu quarto era um lugar mágico para essa garota que começava a descobrir o mundo.  Mas apesar da diferença de idade, acompanhei a trajetória de minha irmã, quando fez  suas amizades e suas escolhas.
  Na adolescência nos afastamos um pouco e na maioridade  tivemos nossos desencontros. Mas logo depois nos “ reencontramos” para celebrar uma nova fase na vida dela. No próximo dia 15/07/2017,  ela irá se casar e eu estarei ao lado dela,  para ver uma história de abandono que tinha tudo para dar errado, mas  onde o amor venceu! Obrigada Gabriela Mahalia ( e como ela gosta desse nome!) por fazer parte de nossa vida.  Você é um presente em nossa família.

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Famílias que adotaram

“Temos quatro filhos, dois biológicos e dois adotados. Os quatro são legítimos e independente da maneira como nasceram em nossa família, têm trazido de igual forma, alegrias e desapontamentos, desafios e esperanças, perplexidade e amadurecimento. 

        Felipe foi adotado com 11 meses e Gabriela com 3 dias de vida. Hoje têm, respectivamente, 17 e 15 anos idade. São tão diferentes entre si, assim como os biológicos também o são! Felipe é mais sonhador e artístico. Gabriela é mais objetiva e prática. Junto com os mais velhos, respectivamente com 23 e 25 anos de idade, eles têm tornado nossa vida dinâmica! Temos aprendido com os erros deles e com os nossos e nos alegrado com as conquistas de cada um deles.
 
        Temos sido desafiados por cada revelação inesperada que nos obriga a rever conceitos. A naturalidade e profundidade em que a Adoção enraizou-se a vida de nossa família, nos levou a fundar um Grupo de Apoio à Adoção que hoje promove uma média de 12 adoções por ano, nacionalmente. Temos produzido também literatura (um livro, apostilas e vários textos), promovendo a adoção, como um mero detalhe na formação de uma família! 

        De nossa experiência como pais e mais especificamente como pais do Felipe e da Gabriela, afirmamos que ADOTAR é mais do que um gesto de amor. 

        ADOTAR é um ato de coragem e compromisso.”
 
                                              Janus e Clélia Cezar